Projecto a incluir na Campanha do Milénio – Objectivo 2015 – 8 meses em acção
Objectivo 1: Erradicar a pobreza extrema e a fome.
Resumo: O projecto: “Vamos adoptar um(a) avô (ó)”, apadrinhado pelas turmas da disciplina de Geografia A do ensino secundário, consiste no acompanhamento e ajuda de idosos no seu domicílio, enquadrando-se nos objectivos de desenvolvimento do Milénio – 2015, particularmente no objectivo 1: Erradicar a pobreza extrema e a fome.
A turma I do 11º ano, dinamizada pelo professor José Aquiles Loureiro, “adoptou” a família da Sra. Patrocínia Martins da freguesia de Pico S. Cristóvão, concelho de Vila Verde, que será apoiada ao longo do ano lectivo, especificamente nas alturas festivas.
Desenvolvimento: No dia 16 de Dezembro de 2008, a turma I do 11º ano dirigiu-se, acompanhada pelo professor José Aquiles Loureiro, pelas 14h30m, de autocarro, gentilmente cedido pela Junta de Freguesia de Pico S. Cristóvão, ao domicílio da Sra. Patrocínia a fim de lhe entregar o cabaz de Natal e conviver com ela e com os seus dois filhos com deficiência aguda. Desta visita resultou o texto que a seguir se apresenta.
Na sociedade em que vivemos estamos habituados a observar as mais diferentes situações de vida. Uns ostentam poder, fortuna e uma felicidade fútil, comprada com dinheiro, ao invés, existem os outros, os que vivem com a pobreza e que penosa e dolorosamente lutam em cada dia para obter uns pequenos cêntimos que são, contudo, insuficientes para garantir as suas necessidades básicas. Mas nestes, a felicidade é natural.
É no seio destas famílias mais desfavorecidas que nos disponibilizamos a ajudar para que possamos fazer a diferença em prol de quem luta diariamente contra obstáculos intermináveis. E é neste contexto que encontrámos a D. Patrocínia, o Carlos e a Fátima. Três elementos de uma humilde família que vive na freguesia de Pico S. Cristóvão no concelho de Vila Verde.
De repente, o nada se tornou em algo, ao unirmos esforços na concretização do desejo de visitar esta família. Claro que nada seria possível sem o contributo de cada elemento da turma, com umas ofertas simbólicas e um coração aberto, ajudados pelo director de turma, também presente e dinamizador.
A oferta do Presidente da Junta de Freguesia, Sr. José Luís Araújo, ao disponibilizar um autocarro, e o contributo da Sra. Susana e do Sr. Agostinho, através da disponibilização de contribuições não negligenciáveis, tornou a nossa ambição de nos deslocarmos à nossa “família adoptiva” ainda mais real.
Já na casa da nossa “família adoptiva”, encontrámos o Carlos, um adulto de 36 anos feito criança por uma deficiência detectada à nascença e que o incapacitou para o resto da sua vida.
No Carlos, cada gesto, cada movimento, representa o desejo vigorante de querer comunicar, numa linguagem difícil de compreender aos olhos de meros seres humanos que estavam a lidar com tal situação pela primeira vez. Carlos é introvertido, um pouco desinteressado de tudo o que o rodeia. Nesse dia apenas estava concentrando na vontade de andar de carro, vontade que nos olhos de um cativo se torna na sua liberdade, embora efémera!
A Fátima, mulher adolescente de 30 anos, feminina nos gestos e determinada nas atitudes, demonstra uma impetuosa curiosidade pelo saber, uma impetuosa vontade de querer alcançar o nunca antes conseguido. Embora com uma deficiência semelhante à de Carlos, ela exterioriza desejos humanos, tais como o da sexualidade, transmitida pela adulação de uma imagem masculina, ícone da imprensa nacional, perante a qual ela não se separa enquanto deitada na cama, seja qual for a sua posição de dormir. E o simples retirar desta imagem transforma-se numa profunda revolta para ela.
Dona Patrocínia, a mãe, a mulher sexagenária, que acompanha os seus filhos ao longo destes prolongados anos, décadas de sacrifícios, angústias, amarguras, vitórias e sofrimentos, mas tudo isto compensado com o amor e o pleno bem-estar dos filhos, entrega-se inteiramente, de corpo e alma, para lhes criar o conforto que não existiria na sua ausência.
É de referir que o que nos moveu ao associarmo-nos a uma causa solidária como esta, participando com bens alimentares e de higiene pessoal mas principalmente com a nossa presença, foi o de contribuir para a ajuda desta família de modo a aliviar as suas necessidades básicas, como a fome. Contudo, posteriormente a esta visita, a nossa percepção é a de que a carência desses bens alimentares foi ultrapassada por outras necessidades. Existem outras prioridades, tais como criar espaços de afecto, momentos em que façamos os outros sentirem-se especiais, amados e porventura quebrar a monotonia de uma vida difícil, só e monótona.
Por fim, resta dizer que durante o pouco tempo que permanecemos na companhia destas pessoas sentimos que fizemos a diferença, criámos sorrisos, proporcionámos conversas, o que foi de todo gratificante para nós. E tivemos a sensação de tarefa cumprida, pelo menos por enquanto, pois esta família será por nós acompanhada até ao final do ano lectivo.
São pequenas atitudes como esta que em quantidades mais significativas podem causar grandes mudanças. Com esta nossa atitude comprovámos que nada é impossível e que a simples vontade de querer move caminhos tornando o quimérico numa realidade viva e presente.
Ana Pessoa, em nome do 11º I